segunda-feira, 10 de novembro de 2008

sem música...

Hoje estava no laboratório a preparar uma placa e de repente alguém pára uma máquina de PCR perto de mim...
e o barulho de fundo
que me estava a macerar o espírito, mas-que-eu-não-sabia-que-realmente-estava,
pára também...
e sinto um alívio gigantesco...
aquele ruído contínuo estava, efectivamente, a consumir espaço de, por assim dizer, processamento,
e quando o silêncio se instalou...
senti uma deliciosa sensação de vazio sonoro, de calma imperturbável...

às vezes na vida é mesmo assim...
temos uma quantidade de coisas a falar, acontecer, a ver, para olhar...
no fundo, a consumir-nos...

depois...
há um momento de pausa...
um dia à tarde em que nos pomos a arrumar coisas velhas...
em que o ruído de fundo desaparece, e temos tempo para pensar...

se calhar foi isso sabes...
foi o ter parado e pensado...
foi as horas em que vislumbrei relances do passado,
em que reorganizei o caos que morava em mim...
e nessa pausa silenciosa, nesse compasso de espera...
apercebi-me que me tinha estado a enganar, ou melhor...
estava iludida...

percebi que na verdade não é assim tão importante sabes?
não és assim tão importante...
fazes-me falta...
mas há pessoas que fazem mais...
não é que não sinta alguma coisa,
não é que não fique até mais tarde só para te/me fazer sorrir,
ou que não queira estar contigo...

mas já não tenho capacidade, ou melhor, vou ser honesta, coração...
já não tenho coração para estar à espera de quem nunca disse que vinha...

é como tocar a guitarra...
no início doem os dedos de magoarmos tantas vezes a mesma zona,
mas eventualmente, caleja...
[se calhar o coração funciona assim...
magoa-se tantas vezes que já não há maneira de realmente quebrar a parede que construímos...
]

e quando o ruído passou,
quando a tempestade amainou,
e eu analisei bem a situação,
vi que na verdade,
não temos o mesmo compasso,
não ouvimos a mesma música,
não falamos a mesma linguagem...
não vivemos o mesmo tempo...
somos diferentes naquilo que nos podia unir...

percebi que não tenho música para ti...
e sem acompanhamento,
como é que vou entrar nessa dança insensata
que parece tornar os sonhos realidade
e as impossibilidades, questões triviais....

sabes que as músicas só fazem sentido tocadas a duas mãos?
mas as duas tem de tocar uma melodia concordante,
ou pelo menos tentar....

1 comentário:

O_Corrosivo disse...

Se puderes então juntar ao momento de silêncio, alguém que saiba "fazer" silêncio contigo...
Vais ver que não pode haver nada melhor.
Ainda bem que vais encontrando o teu rock mesmo quando vai faltando o roll.