terça-feira, 13 de novembro de 2007

home...



Deixem-me falar-vos da minha casa...
tem muitas paredes, mais do que quatro se contarmos as de dentro,
as paredes são brancas, pelo menos maior parte delas são...
e o chão é em madeira e nalguns sítios alcatifados...
tem espaço para tudo e mais alguma coisa, para o Lord e o Tunes (cães), para a Íris e para o Pintas (gatos) e para peixes/tartarugas/hamsters que passem por lá...
tem sorrisos e o barulho de um primo de 7 anos (quase 8), os brinquedos caídos que fazem quase-tropeçar-mas-consegui-desviar-mesmo-a-tempo-depois-de
-fazer-uma-ginástica-imensa característicos dessa idade...
tem as pinturas de uma prima de 3 anos(quase 4) que consegue cozinhar bolos de iogurte com meia dúzia de laranjas, um tomate e uma quantidade invejável de nozes, e sem os descascar!
tem a sensualidade de uma tia com o pior mau feitio do mundo (tirando a Catarina, segundo a própria) que acha que as colectâneas "Love Songs 1000" são intemporais e portanto toca de nós as ouvirmos
tem as mil e uma coisas que se consegue fazer em 24 horas por um tio que retorce até as mais inocentes deambulações nas palavras-que-não-deviam-ser-ditas-a-ninguém-e-definitivamente-não
-pensadas-por-menores-de-80-anos-quando-na-presença
-dos-filhos-ou-netos...
tem os desenhos e mágoas de uma recém-universitária de arquitectura, os sonhos e esperanças, passadas para um bloco A3 com lápis a carvão...
e que bonitas que são...
tem as colecções de tudo o que existe de um avô que amontoa tudo o que acha interessante, ou poderá ser a vir interessante (which means everything) e que te bafeja suavemente com o fumo do cachimbo quando chega da rua...
tem um pilar central,a minha avó, magrinha, frágil, com o rosto sulcado pelas rugas e pelas tristezas de todos os seus filhos e netos que guarda e toma como suas, na esperança de lhes aliviar a dor, com uns olhos doces, doces, doces como mel, e com um sorriso que desfaz qualquer tempestade que assome à porta da casa e tente destruir o nosso lar...

vou falar-vos da minha casa...
é desarrumada, é viva, tem um cheiro suave a flores que estão na porta da entrada ou então cheiro aos cozinhados maravilhosos da minha avó...
tem o som dos risos à hora de jantar e o cheiro a amaciador que a minha avó põe na roupa...
tem os cães atrás dos gatos, os gatos atrás dos cães, os cães atrás dos cães e dos gatos e uma confusão tremenda de rebaldaria e barulho...
tem um calor que não tem nada a ver com algo que alguma vez tenha sentido noutro sítio e uma sensação de pertença inequalável...
tem as suas rachas na parede, e mesmo algumas falhas aqui e ali, mas isso é que a torna tão especial...


vou contar-vos da minha casa...

é
completamente
espectacular

não espero que percebam o porquê de gostar...
mas espero que tenham a sorte de se verem reflectidos de alguma maneira nestas palavras


1 comentário:

grassa disse...

Na minha casa berra-se, chama-se nomes, insulta-se e diz-se coisas tão fofinhas como "se soubesse o que sei hoje estavas mas é a boiar no Tejo" ou "és uma criança, não fazes nada de jeito, mas para que é que tu serves"...

Sim, a minha casa tão é absolutamente espectacular, mas como case study para teses de psiquiatria...

E é um óptimo ponto de alegação de insanidade para quando fizer snap na cabeça e me tornar um desvairado serial killer...